sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mundo: Polícia mata a tiros dois manifestantes em confronto após violência em estádio no Egito.

Quinze pessoas ficaram feridas em enfrentamento em Suez


Egípcios entram em confronto com a polícia em frente ao Ministério do Interior no Cairo
Foto: KHALED DESOUKI / AFP

Egípcios entram em confronto com a polícia em frente ao Ministério do Interior no Cairo 

CAIRO - A polícia matou a tiros dois manifestantes na madrugada desta sexta-feira em Suez, no Egito, durante os confrontos que eclodiram em todo o país após manifestações violentas em um jogo de futebol, informou uma autoridade do setor de saúde. Estas são as primeiras vítimas fatais nos novos enfrentamentos que começaram na quinta-feira e que deixaram centenas de feridos em meio a acusações de que a polícia permaneceu impassível diante da violência na partida na cidade de Port Said.



No Cairo, milhares de pessoas participaram de uma manifestação em frente ao Ministério do Interior, que supervisiona a polícia. Os manifestantes atiraram pedras e a polícia respondeu com nuvens de gás lacrimogêneo. Centenas de pessoas foram atendidas por médicos.

Em Suez, testemunhas disseram que cerca de 3 mil pessoas se manifestaram em frente à sede da polícia após a notícia de que uma das vítimas dos distúrbios em Port Said era da cidade. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e, em seguida, abriu fogo, segundo testemunhas. O agente de saúde Mohammed Lasheen disse que dois homens morreram ao serem atingidos por balas. Outros 15 manifestantes ficaram feridos, acrescentou.

Os 74 mortos em uma partida de futebol, num momento em que as condições de segurança foram gradualmente se deteriorando, ameaçam mergulhar o país numa nova crise quase um ano depois que uma revolta popular obrigou o então líder Hosni Mubarak a deixar o poder.

Os torcedores fanáticos, os chamados "ultras", juraram vingança e acusaram a polícia de permitir que os rivais os atacassem após o jogo de quarta-feira na cidade de Port Said, porque eles estavam na vanguarda dos protestos, inicialmente contra Mubarak e agora contra o regime militar que tomou o poder depois que ele foi derrubado em 11 de fevereiro.

Os distúrbios em Port Said começou quando torcedores do clube Al-Masry invadiram o campo após uma vitória inesperada por 3 a 1 sobre o Al-Ahly do Cairo, uma das equipes mais populares do Egipto, e atacaram seus rivais. Centenas deles foram obrigados a fugir através de uma estreita entrada do estádio. De acordo com informações das autoridades locais, o número de mortos chegou a 74, e há cerca de mil feridos. Muitas pessoas morreram pisoteadas e sufocadas, e também foram reportados casos de mortes por concussão e cortes profundos.

O Parlamento realizou na quinta-feira uma sessão extraordinária para discutir a violência e anunciou o envio de um comitê parlamentar para investigar o caso. A Irmandade Muçulmana, que domina o Legislativo, disse que uma mão "invisível" está por trás da tragédia.

Segundo o Ministério do Interior, o tumulto foi provocado por um grupo de torcedores que desejava deliberadamente causar "anarquia, distúrbios e corre-corre".
O marechal Mohamed Tantawi, chefe da junta militar, concedeu uma rara entrevista telefônica ao canal de TV pertencente ao clube Al-Ahli, prometendo identificar os culpados pela tragédia. O Exército anunciou três dias de luto oficial.

Lamento profundamente o que aconteceu na partida de futebol em Port Said. Ofereço minhas condolências às famílias das vítimas - afirmou Tantawi em declarações transmitidas pela TV estatal.
O primeiro-ministro Kamal Ganzuri reconheceu ser o responsável político pela briga das torcidas. O premier informou ao Parlamento e ao presidente da Federação de Futebol do Egito que destituiu os chefes dos serviços de segurança e inteligência de Port Said.

Da Redação O Arauto Mamanguapense
Com O Globo
clenilsonpinto@yahoo.com.br


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